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Deixo aqui uma mensagem a todos os Viajantes que aqui apareçam mesmo aqueles que vierem desse futuro longínquo, como o John Silva no seu simulador.

 

Aqui ao lado estarão diversas vozes em destaque. E, quem sabe, cá voltarei daqui a uns tempos...

 

A mensagem aqui vai! Tal como o cientista suicida de Woody Allen em Whatever Works, caros Viajantes, acarinhem tudo o que funciona nas vossas vidas:

 

 

 

publicado às 22:51

Aproximação das culturas próprias de serviços públicos e privados

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 12.08.13

Se olharmos para os serviços públicos e privados apenas na perspectiva política partidária, é claro que ficamos horrorizados com os desvios da sua verdadeira missão e qualidade dos seus resultados.

Mas se mudarmos a nossa perspectiva e os olharmos através de uma consciência abrangente, aquela que procura compreender as grandes tendências culturais actuais, aquela que antecipa o futuro, então o que começamos a ver desenhar-se é uma aproximação entre as culturas próprias de um serviço público e de um serviço privado.

 

Já devem estar familiarizados com a linguagem económica aplicada a um serviço público: gestão por objectivos, optimizar os recursos, melhorar a qualidade da prestação de um serviço, avaliação de desempenho, etc., e a mais recente, sustentabilidade, Hoje seria impensável para todos nós que todas estas exigências não fizessem parte integrante da cultura de qualquer serviço público sem excepção.

 

Também vemos, paralelamente, uma linguagem nova emergir na cultura dos serviços prestados pelos privados: responsabilidade social, beneficiar a comunidade, mobilizar recursos para um bem comum, etc. Para sermos justos, já vemos esta cultura mais própria de um serviço público ser parte de uma marca de muitas empresas. E se quisermos ser mesmo justos, vemos esta cultura comunitária fazer parte das fundações culturais deste país com a protecção dos mais desprotegidos, pelas ordens religiosas sobretudo. Portanto, os tempos tocam-se sem precisarmos de viajar no tempo. O séc. XXI traz essa marca do futuro para as empresas actuais: riqueza partilhada através da comunicação e troca de ideias, inovação constante através da colaboração empresas-comunidade, alimentação mútua empresas-clientes através das redes sociais, etc. As palavras-chave hoje passaram a ser: rede e comunicação. A empresa não é a única a criar um produto ou um serviço nem a inová-lo, os consumidores participam nesse processo activamente.

 

É aqui que nos perguntamos:

- Então porque não é esta aproximação cultural saudável, criativa, que cria riqueza e que a distribui naturalmente, e em que todos participam, que vemos no nosso país?

 

Possível resposta:

- Porque estamos a olhar através da perspectiva política que nos tem condicionado, limitado e formatado. Porque esta aproximação cultural se desviou do seu caminho natural e dinâmico e foi sendo construída uma outra plataforma artificial que se está a desmoronar agora, e que está a arrastar, na sua desestruturação, o trabalho árduo de muitos, a dignidade de muitos, as expectativas de muitos. Porque este desvio criou desequilíbrios sociais gritantes e minou a confiança mútua das pessoas e comunidades, mas sobretudo a confiança destas nos seus gestores políticos. Porque as lideranças falharam o seu propósito, a sua missão, que não é tratar da sua pequena vidinha e do seu grupo de referência, mas é muito mais vasta, ampla, abrangente.

 

Hoje é claro para todos nós que este modelo político partidário já não serve a gestão do país, das comunidades, nem é capaz de gerir os tempos de grandes desafios que temos pela frente. Desafios que podem também ser encarados como possibilidades de mudança cultural profunda, uma viagem no nosso tempo cultural, um encontro e aproximação entre culturas próprias de serviços públicos e privados.

 

Também na Europa esta mudança cultural é urgente: o actual modelo de gestão é já um desvio do inicial, e as actuais lideranças não fazem ideia em que século vivem, estão obsoletas. A sua cultura estagnou (aqui sim, o termo estagnação aplica-se bem) nos finais do séc. XIX, a revolução industrial, as formiguinhas laboriosas. Os grandes magnatas, as grandes corporações, a centralização do poder, a sede de conquista e apropriação, tudo o que minou o séc. XX. 

 

Estamos no meio de mudanças profundas. E os desafios estão aí para os aceitarmos ou recusarmos. Todos juntos unimos inteligências, ideias, perspectivas, soluções práticas, experiências. É a comunicação em rede a funcionar.

Essa criatividade partilhada, que é riqueza partilhada, já funciona, já está a funcionar todos os dias. De certo modo, é essa comunicação que estrutura o dia a dia de empresas e serviços. Que aproxima as duas culturas de forma saudável, criativa, que cria riqueza e que a distribui naturalmente, e em que todos participam.

 

Se o que vai surgir sobre as ruínas do sistema político actual é uma estrutura com uma cultura mais democrática e participativa, ou um sucedâneo de autoritarismos do séc. XX, ainda não sabemos. Mas pode ainda surgir, se estivermos atentos e participativos, essa aproximação natural de culturas, de comunidades geridas de forma saudável e participativa, de criação de riqueza partilhada, em rede e em comunicação permanente.

 

 

 

Nota a 28 de Agosto:  Também aqui.

 

 

publicado às 10:22

"Desempenho estagnado": equívocos e manipulações

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.08.13

Ontem ouvi esta conclusão precipitada nas televisões: o ministério da Educação analisou os resultados dos Exames (!) e concluiu que o "desempenho" (dos alunos, pressupõe-se) está "estagnado" (!?) Parece que estagnou a partir de 2010 (??)

Se o "desempenho" estagnou, o ministério não tem nada a ver com isso?

O que pretende o ministério com esta conclusão genérica atirada assim através das televisões?

Acertar no alvo de sempre: os professores? Tudo indica que sim.

Com que objectivo? Provar que os professores são os responsáveis por esta "estagnação"?

 

Vejamos então: 

 

- em que critérios se baseou o ministério para considerar e concluir que o "desempenho" está estagnado? Nos resultados dos Exames Nacionais?

- o "desempenho" escolar dos alunos pode ser medido apenas no momento e na situação de Exame?

- o enunciado da Prova de Exame foi desenhado por quem? Esse gabinete, responsável pela elaboração das Provas de Exame não depende do ministério? Não deveria ser uma entidade independente?

- não deverá a Prova de Exame ser elaborada de modo a reflectir de forma fiável as competências e conhecimentos definidos previamente num programa curricular? 

- e não deveriam estes programas curriculares revelar alguma estabilidade, sem as actuais mudanças drásticas, arbitrárias e sem a consulta prévia dos professores, o que só cria instabilidade?

 

Já vemos aqui várias variáveis que interferem numa qualquer análise e avaliação objectiva de "desempenho escolar" e todas têm a ver com decisões e práticas do ministério da Educação.

 

 

(a continuar o raciocínio, à medida que as ideias se forem arrumando)

 

 

 

O que me parece é que esta conclusão apenas vem reflectir equívocos e manipulações que antecedem o que se verá: a preparação da opinião pública para a progressiva privatização da Educação. Tudo aponta para a tentativa de descredibilizar a Escola Pública e tudo o que significou: o acesso igualitário à Educação, a democratização da Educação. E nesse percurso desvalorizar ainda mais o valor e dimensão do trabalho dos professores.

 

Já aqui falei no exemplo da Suécia. Agora trago também o exemplo dos States. Não é por acaso que o título do artigo também refere o termo "confusão" aqui aplicado aos liberais.

 

 

publicado às 11:26


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